Contra Mim

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Olha uma nova crónica.
Não sei se me apetece ler.
O título é desinteressante
E eu tenho mais que fazer.

Para ler é preciso atenção
E eu estou muito cansado.
Nem sequer vou fazer jantar,
Compro antes um frango assado.

Quero ver filmes e séries,
Não me deixes em dilemas.
Tenho pouco tempo livre
E nem gosto de poemas.

Não preciso de me justificar,
Eu faço o que eu quero.
Não mandas em mim,
Vou comer um Ferrero.

A Chuva em estado de espírito

Está chuva, está vento,
E que preguiçoso estou.
O meu carro estava sujo,
E agora lavado ficou..

A chuva está de volta
E os meus ténis cheios de pó.
Vou chapinhar nas poças
Como se fosse um tótó.

Abri o meu guarda-chuva,
E o vento partiu a vareta.
Podia comprar um novo,
Mas sou um pouco forreta.

O Bom Preguiçoso

Segunda de manhã
O sono é o rei.
Não vou desobedecer
E na cama ficarei.

Depois de almoço
Sinto-me espanhol.
Queria tanto fazer
Uma sestinha ao sol.

A preguiça é a rainha,
Que me acolhe no sofá.
Só quando a fome aperta
É que o meu corpo se mexe de lá.

O pior dos preguiçosos
Tem sempre um dilema.
“Vou tomar banho agora,
Ou cheirar mal já não é problema?

Martim descansa à sombra de uma resolução de ano novo

Ano novo, vida nova! É uma das frases mais ouvidas e lidas no dia 1 de janeiro de cada ano. Normalmente, com ou sem superstições, todos têm direito aos seus 12 desejos. Pensando nisto, talvez o génio da lâmpada fosse um grande forreta. Para quê procurar a lâmpada mágica como se não houvesse amanhã se, no final de cada ano, vamos ter os nossos 12 desejos? Bem melhor do que ter tanto trabalho para pedir apenas 3!

Martim não liga a nada disso. Tudo o que quer na famosa “PDA” é boa companhia, muita bebida e uma grande festa. Depois, para celebrar o primeiro dia do ano, cumpre a tradição de ir almoçar com a sua irmã mais velha, já casada e à espera de bebé. Mas este ano tem uma pequena diferença, o rapaz decidiu fazer uma resolução de ano novo: fazer exercício físico.

Não precisa de emagrecer, nem quer ficar musculado. Apenas está cansado de se cansar. Martim tem 23 anos e, curiosamente, é o mesmo número de degraus que o deixam ofegante. Para chegar à porta de casa da irmã faltam 7, que percorre com a ajuda do corrimão

Envergonhado, tenta respirar fundo e recuperar o ânimo, mas por muito que disfarce, a irmã já o topou. “Não tens vergonha Martim? Quem não souber onde moras vai pensar que corres uma maratona para aqui chegar.” Com longas pausas, reflexo do cansaço, Martim responde “Eu sei mana, mas não te preocupes. Este ano decidi que vou começar a correr.”

As resoluções são bonitas de se dizer, ficam bem no papel, mas são sempre decididas numa má altura. Depois do almoço volta a casa. Martim gosta de passar longas tardes no sofá, quanto mais preguiçoso for, mais feliz fica. “Já deve estar frio, o melhor é começar amanhã.”

Ao segundo dia, Martim não pensa em mais nada senão na primeira corrida, no primeiro passo que fará dele um homem que cumpre com a sua palavra. Volta do trabalho, equipa-se a rigor e sai para a rua. Distraído como sempre, descobre que está a chover muito, o suficiente para que adie a corrida. Ainda assim, volta de peito cheio, orgulhoso por ter cumprido a sua promessa sem ter de perder uma gota de suor.

Para não ser novamente enganado, Martim decide espreitar as previsões e descobre o que secretamente queria: vai chover a semana toda! Desanimado, promete a si mesmo que correrá lado a lado com o primeiro raio de sol do ano. No sábado, o dia está lindo, solarengo e animador, ideal para tudo o que se queira fazer na rua.

Para aproveitar o dia, Martim liga a uns amigos e vão todos beber uma imperial para a praia. Tal como a chuva, a vontade de correr desapareceu sem deixar rasto. Pelo areal, várias pessoas vão correndo à beira-mar, mais depressa ou mais devagar. “Correr com um sol destes? Que desperdício de tempo. Mas pronto, há malucos para tudo!”