Um Pequeno Café Pequenininho

Gosto do jeito carinhoso com que se fala de coisas pequeninas, mesmo que não o sejam. Afinal, somos um “pequeno” país na ponta da Europa, mas que está recheado de coisas boas para ver e fazer. Portugal é como uma boa bifana de roulotte, o pão é sempre pequeno demais para o tamanho do bife. Seja para quem visita Portugal ou para quem pede a bifana, o resultado é sempre positivo.

Estava eu na fila para pedir um café quando ouço, “são só dois cafezinhos, por favor.” Até nestes pedidos gostamos de ser pequenos (ou será carinho para com desconhecidos?), mas é fácil perceber porquê. Alguém já ouviu alguém chegar a um estabelecimento e dizer “quero um cafézão, se faz favor”? Parece um pedido meio bruto.

Primeiro, é difícil dizer esta frase sem imaginar que é alguém com uma voz grossa, pelo menos é assim que eu imagino e soa-me sempre a um cenário bem engraçado. E será que essa pessoa seria levada a sério? “Quero um croissant misto e um cafézão para levar.” Parece giro, mas improvável. Talvez teste esta ideia um dia.

Talvez seja um problema no nosso discurso. Queremos ser grandes e mostrar a nossa grandeza enquanto povo e país, mas não abandonamos os diminutivos. Porquê? Porque é carinhoso e dá um quentinho no coração. A verdade é que os “-inhos” no fim das palavras ficam melhor que os “-ãos”. Por exemplo, ainda no café, pedem um copinho ou um copão? E não vale responder “copo”!

Promessas e mais promessas

Portugal é campeão europeu! Ficou meio mundo histérico com este feito histórico. Já todos festejámos (uns hão de continuar os festejos), já todos vimos aqueles milhares de vídeos virais sobre o Ronaldo, o Éder, os jornalistas, os franceses, e por aí em diante. E quem é que já viu o vídeo do Eduardo Madeira nú no Marquês de Pombal?

Ele próprio disse que era uma promessa. E, como ele, aposto que muitos portugueses, e europeus, também disseram “Se Portugal for campeão eu faço…” (as reticências são para preencher ao gosto de cada um). Diga-se, de passagem, que o Eduardo Madeira foi muito fraquinho a cumprir a sua promessa. “Andar nú no Marquês” seria um feito histórico se ele o tivesse feito durante o dia da festa, ou na noite em que ganhámos o europeu.

Despir-se durante 30 segundos no Marquês, quando são 6 da manhã e não está lá ninguém, é miséria. Cumpriu o que disse? Sim, claro. Mas foi tão fraquinho, tão pouco corajoso. Se é para fazer, que seja em grande!

Pensemos agora em todas as outras promessas, especificando uma: tatuagens. Sem querer ser adivinho, acho que existem várias pessoas que disseram “Se Portugal for campeão vou tatuar…” (as reticências preenchem-se de acordo com a criatividade de cada um). E quantos é que o cumpriram? Provavelmente, foram poucos.

Não sei se existem, mas gostava muito que existem muitas lojas de tatuganes perto do Marquês. Ou melhor, devia de existir uma loja ambulante de tatuagens em cada sítio onde se festeje loucamente. Deviam existir muitas em cada sítio, para evitar filas de espera.

Porquê? Hoje, teríamos pessoas que tinham o Éder tatuado nas costas, ou então tatuavam uma taça, ou, para os fãs do Quaresma, tatuavam uma pena. Onde? Não interessa. Mas, o que é certo, é que existiriam muito mais pessoas com tatuagens do arrependimento, daquelas que só se fazem quando o corpo está presente, mas a mente já desligou. Seria um fartote de rir durante o verão. Nunca se iria à mesma praia duas vezes, só para procurar mais parvoíce eterna pintada no corpo.

Era mesmo engraçado passear na praia e ver alguém com um Éder gigante nas costas. Fica a ideia. Felizmente, já existe solução para todos aqueles que fazem tatuagens mal pensadas. Alguém decidiu investir dinheiro e abrir uma loja da salvação: uma loja de remoção de tatuagens! Realmente é bem pensado, mas só devia ter aberto depois de alguém tatuar um Éder gigante nas costas.

A culpa é da música!

É sempre muito mais fácil culpar alguém pelo que de mal acontece a alguém. Eu não pertenço a essa equipa, mas hoje jogo desse lado. Só hoje!

Hoje foi dia de jogo, foi dia de ver a selecção! Não vou comentar o jogo, nem falar sobre o que aconteceu durante os 90 minutos. Para isso, existem cerca de 900 pessoas que já o fazem em variadíssimos (mas iguais) programas de televisão sobre futebol. Vou só dizer isto: hoje Portugal não ganhou e a culpa é do Pedro Abrunhosa!

Atenção! Eu não tenho nada contra ele, nem contra a música que ele fez para apoiar a selecção. Está tudo muito giro, os anúncios, a ideia, o conceito, gosto disso tudo. O que me chateia é que a música é muito calminha.

Músicas de apoio a um clube, seja qual for o desporto, tem de ser animadas, ou gritadas de tal forma que são hinos arrepiantes. A música “que vai ajudar a selecção a ganhar o Europeu” é muito desmotivante. É calma, é parada e, quando cantada em estádio, fica um ambiente realmente estranho. Sobre músicas de apoio à selecção tenho muito mais a dizer, mas hoje fico-me por aqui.

Uma coisa é certa! Se os jogadores ouvem a música antes de entrar em campo, o empate fez todo o sentido!