Quando canto, só a mim me espanto

Poucos são os ditados que revejo em mim. “Quem canta, seus males espanta” é um desses exemplos porque, quando eu canto, só me espanto a mim. Canto tão mal que, às vezes, até tenho vergonha de cantar quando estou sozinho. A minha voz é tão pouco musical que, fazer karaoke, até aleija os meus próprios ouvidos. O problema é que eu gosto de cantar, e gosto muito.

Onde mais canto é no carro, claro, durante qualquer que seja a viagem e onde uso o rádio como a setlist do meu concerto. Sim, eu sei que “eles passam sempre as mesmas músicas”, mas eu gosto! É da maneira que consigo ir cantarolando até a aprender a letra, para depois cantar desenfreadamente. A parte mais engraçada é que, por muito que cante, raramente penso nas palavras que vou dizendo.

É muito mais bonito quando cantamos as músicas que mais gostamos. Eu também sou assim. Mas como gosto da aleatoriedade controlada da rádio, gosto de cantar tudo o que me dão, independentemente da mensagem que estou a transmitir. O que acontece muito é desmanchar-me a rir sempre que percebo o que acabei de dizer.

Descobri uma faceta nova em mim porque, pelos vistos, “fui a Ibiza e ando a tomar comprimidos para mostrar ao Avicii que sou muita fixe! Quando fiquei sóbrio, senti que tinha envelhecido 10 anos, mas valeu a pena porque foi muita fixe!” Nada disto encaixa na minha personalidade a não ser a parte de ir a Ibiza, isso sim seria interessante.

Isto tudo para dizer que a música não me sai da cabeça, o que nem é mau porque é um bom som que, descobri à pouco, tem um conceito genial para o videoclip. Ora vejam: https://www.youtube.com/watch?v=foE1mO2yM04

A Minha Caminha

“As saudades que eu já tinha
Da minha alegre caminha
Tão fofinha quanto eu.

Meu Deus como é bom deitar,
Dormir sestas ou ‘sleepar’
Numa cama com lençóis.”

Se quiser continuar a cantar esta nova versão da música, é só repetir estes versos mais vezes: a música original também tem uma letra repetitiva. Provavelmente, a música vai ficar na cabeça durante o resto do dia. E, se gosta de Xutos, talvez precise de ir ouvir a música “verdadeira” para combater uma qualquer nostalgia. Na pior das hipóteses, vai gostar desta nova letra e adaptá-la num futuro karaoke. Tudo isto são suposições, mas já me sinto orgulhoso.

A minha cama é espectacular. Isto sim, é algo de que vale a pena falar. A minha cama é minha confidente, de pensamentos, de sonhos e de alguma (pouca) baba. Sei que posso sempre contar com ela, estará lá sempre para me receber, de braços abertos e colchão reconfortante. Sempre que me deito, sinto um abraço carinhoso que diz “Bem-vindo de volta”.

Será amor? Talvez.

Sinto saudades de poder dormir sem ter hora para acordar. Não que eu durma muito, é só porque gosto de ser eu a escolher quando quero abandonar o meu abrigo. E isto de passar tempo a menos com a minha cama, deixa-me com saudades dela. Ou do colchão. Ou dos dois. Confesso que a minha cama e o meu colchão são um casal perfeito. Juntos somos um ménage inseparável.

Verdade seja dita. Independentemente do tempo, dormir é muito bom!

Xutos num cigarro

Felizmente para mim, já assisti a quase uma dezena de concertos dos Xutos & Pontapés. A palavra “dezena” não aparece porque já não sei ao certo quantos concertos vi, mas sim porque parecem muitos mais do que se disser 7. “Quase uma dezena” parece um número indefinido, muito maior que um 7. Enfim, já me estou a perder.

Os Xutos são uma banda que consegue ter clássicos atrás de clássicos, reinventam-se sempre de forma interessante. Gostos são gostos e eu gosto. Mas o mais impressionante não é isto! O mais impressionante é ver um dos membros da banda durante um concerto: o João Cabeleira. E não tem nada a ver com o facto de ele ser casado, e ter um filho, com uma stripper. Cada um sabe de si e eu respeito todos.

O mais impressionante é a postura durante os concertos. Está sempre no mesmo sítio, num dos lados do palco, não canta, não fala com o público. Só toca, brilhantemente, guitarra. Sempre com um toque pessoal, faz os seus solos, e dá o seu espectáculo. Mas, para além de guitarrista, João Cabeleireira é mágico!

Sempre que olhava para ele, em qualquer um dos concertos, ele estava a fumar o seu cigarrinho. Portanto, se ele toca guitarra com os dedos não os pode usar para fumar, certo? Sim, e é impressionante o facto de ele estar a tocar, música atrás de música, sempre com o cigarro na pontinha da boca. Ou seja, o fumo está sempre a ir para os olhos. Facto que me leve a concluir o seguinte: João Cabeleira tem os olhos mais fortes e insensíveis de sempre! Ou, e se isto for verdade é uma oportunidade fantástica de negócio, tem umas lentes de contacto anti-fumo. Se este produto existe, vamos todos vê-lo a ser (quase) impingido pela RTP na publicidade que dá depois de almoço. Nada contra, são anúncios particularmente engraçados.

Para além desta demonstração incrível de força ocular, João Cabeleira também consegue criar postos de trabalho. Ele tem um assistente que vem ao palco, muitas vezes, trazer-lhe uma guitarra diferente. Mas, se eu o vejo sempre de cigarro na boca e nunca com um cigarro na mão, será que ele tem um assistente que lhe leva o cigarro à boca? Será que ele tem um assistente só para acender e apagar o cigarro? Ou será que esse assistente acumula funções? Se isto for verdade (e talvez exista esta profissão no mundo), João Cabeleira tem um “Cigarreiro Pessoal”.

O que fazer em 30 segundos?

Gosto muito de fazer anos! Para mim, o meu dia de anos é sempre um dos melhores (senão o melhor) dia do ano! É o meu dia, o dia em que quero ser rei e fingir que tenho dinheiro para esbanjar. Ou seja, no meu dia de anos gosto de comer todas as refeições possíveis fora de casa, a começar pelo pequeno-almoço.

Sim, voltei outra a vez a falar de comida. Não consigo evitar! Comer é viver (tinha de estragar isto com um cliché básico)! Enfim, no MEU dia tudo é bom, tudo vale a pena. Contudo, existem cerca de 30 segundos nesse dia em que me sinto realmente desconfortável e constrangido.

“Parabéns a você, nesta data querida…”

Acho que conhecem o resto da música, certo? Não é que eu não goste que me cantem os parabéns; a questão é outra. O meu problema é o que fazer durante esses 30 segundos de “terror”. Sorrir? Acenar? Cantar com os demais? Olhar parvamente para o bolo?  30 segundos a sorrir é dor de bochecha e 30 segundos a acenar é imitar a rainha de Inglaterra. 30 segundos a olhar para o bolo será um ato de gula desesperada – não me parece mau de todo. E, por fim, cantar os parabéns para mim próprio é estranho.  Eu acho.

Infelizmente, faltam alguns meses para eu ter este “problema” bom na minha vida. Portanto, quero e desejo sugestões para resolver o meu dilema anual. Obrigado.

A culpa é da música!

É sempre muito mais fácil culpar alguém pelo que de mal acontece a alguém. Eu não pertenço a essa equipa, mas hoje jogo desse lado. Só hoje!

Hoje foi dia de jogo, foi dia de ver a selecção! Não vou comentar o jogo, nem falar sobre o que aconteceu durante os 90 minutos. Para isso, existem cerca de 900 pessoas que já o fazem em variadíssimos (mas iguais) programas de televisão sobre futebol. Vou só dizer isto: hoje Portugal não ganhou e a culpa é do Pedro Abrunhosa!

Atenção! Eu não tenho nada contra ele, nem contra a música que ele fez para apoiar a selecção. Está tudo muito giro, os anúncios, a ideia, o conceito, gosto disso tudo. O que me chateia é que a música é muito calminha.

Músicas de apoio a um clube, seja qual for o desporto, tem de ser animadas, ou gritadas de tal forma que são hinos arrepiantes. A música “que vai ajudar a selecção a ganhar o Europeu” é muito desmotivante. É calma, é parada e, quando cantada em estádio, fica um ambiente realmente estranho. Sobre músicas de apoio à selecção tenho muito mais a dizer, mas hoje fico-me por aqui.

Uma coisa é certa! Se os jogadores ouvem a música antes de entrar em campo, o empate fez todo o sentido!