A Taça de Portugal e uma pitada de suor

Por vezes, as ideias vêm ter comigo, mas hoje não é assim. Hoje, o tema é da atualidade. Domingo, dia de festa, dia da Taça de Portugal, um dia cheio de acontecimento comentáveis a todos os níveis. Mas é aqui que eu separo as águas porque quero comentar o que todos estão a ignorar.

Vou falar apenas sobre aquele pequeno rapaz; Jiménez, que celebrou um golo com uma máscara na cara. O que é que isso tem de mal? Nada! Até achei que foi uma manobra de marketing espetacular (e eu gosto muito destas coisas). Mas onde é que ele tinha a máscara guardada?

Eu respondo. Nos calções. Portanto, ele andou a correr durante 48 minutos, marcou um golo e tirou uma máscara que andou no rossa-rossa com as pernas e com as cuecas durante aquele tempo todo. Eu não sou de intrigas, mas quem corre mais de meia hora já fica a suar bastante das virilhas, não é?

Futebol, um desporto onde jogadores decidem esfregar o seu próprio suor na cara quando se sentem felizes. E se isto pega moda? Será que vamos ter alguém a tirar um segundo par de cuecas para pôr na cabeça? Eu acho que, à partida, já é uma ideia vencedora!

Em resumo, tudo isto foi uma jogada de marketing brutal e foi o mais interessante que aconteceu no jogo todo. Ainda assim, acho que o Jiménez devia pedir desculpa àquele senhor que parecia o vilão do primeiro filme do Homem Aranha que decide ir surfar umas nuvens para depois entregar a bola ao árbitro. Bela maneira de roubar as atenções!

A minha cultura geral fez STOP

Gosto de pensar que tenho uma boa cultura geral e que estou sempre a aprender mais. O meu ego fica sempre contente quando me sinto um excelente concorrente num qualquer concurso de televisão de perguntas destas. Contudo, existe um jogo maléfico que prova o contrário, prova que afinal ainda não aprendi nada. Isto foi o que eu descobri a última vez que joguei ao STOP.

Foi muito nostálgico (e triste) quando percebi que a minha inteligência pouco tinha evoluído. Na categoria “Marcas”, achei que seria imbatível. Cada vez existem mais e eu estou muito mais atento a elas do que quando tinha 10 anos. Ainda assim, a única marca que me lembro com a letra A é Aquafresh, pasta dentífrica que não me protege os dentes, mas que aumenta a minha pontuação.

“Profissões”, uma “categoria” pouco consensual e que muitas vezes me esqueço de colocar em jogo. Tal como quando era pequeno, a única profissão que existe com a letra P é paneleiro, o “homem que faz panelas”, mas que não evita aquela gargalhada parva e infantil. Sim, a minha inteligência emocional é enorme.

Middlesbrough, Hamburgo ou Las Palmas são cidades que conheci a ver futebol. Afinal, é bom saber que ter perdido tantas horas a ver futebol é uma das principais razões para ser quase um professor de geografia. Os clubes pertencem a vilas e a cidades, cujos nomes costumam partilhar. É por isso que gosto de jogar com a categoria “C.V.A” (cidades, vilas e aldeias), para pôr todo o meu conhecimento em prova.

Por último, vou revelar um truque para garantir a pontuação máxima. Escrever a mesma palavra só dá 5 pontos e, quando são mais de 2 jogadores, é provável que aconteça na categoria “Animais”. A minha dica é: usar sempre a fêmea da relação. Não é cão, é cadela. Em vez de rato, o melhor é ratazana. Se a letra for C não escrevam cavalo, mas sim, cavala. “Mas a fêmea do cavalo é a égua!” Pois é, mas a Cavala é um peixe e é assim que eu vou ganhar!

Palmadinhas Futebolísticas

Ai, o futebol. Tanta paixão, tanta loucura, tanta coisa por explicar. Notícias, reportagens, livros, debates e mais debates, comentadores, treinadores de bancada, existe de tudo um pouco quando o assunto é futebol. Contudo, existe um tema sobre o qual ninguém fala. Vou já quebrar o gelo!

Sempre que há uma substituição, o jogador que sai, vai cumprimentar o treinador e leva uma palmadinha no rabo. Porquê? No meu tempo, quando era uma pequena criança, esse tipo de tratamento era um castigo. Uma palmada era um corretivo para nos fazer aprender uma lição. No futebol não é nada assim! A palmadinha significa “boa rapaz, jogaste bem!” Ou mesmo que jogue mal, aquilo parece um gesto carinhoso numa zona que deve estar extremamente suada. Não percebo este fetiche pouco higiénico.

O adepto de futebol, dentro do seu cliché mais puro, é um macho que bebe cervejas, arrota com força por cima e por baixo, e acompanha com tremoços. Será que este fiel adepto macho aprecia este comportamento? Parece-me muito pouco másculo. Será que os jogadores se sentem desconfortáveis com a palmadinha e estão a sofrer em silêncio até agora? Ou será que gostam e se sentem confortáveis? Cada um sabe de si.

Tantas perguntas que talvez não sejam respondidas. Uma coisa é certa, já não me importo tanto de ter nascido sem o talento de um craque da bola.

Promessas e mais promessas

Portugal é campeão europeu! Ficou meio mundo histérico com este feito histórico. Já todos festejámos (uns hão de continuar os festejos), já todos vimos aqueles milhares de vídeos virais sobre o Ronaldo, o Éder, os jornalistas, os franceses, e por aí em diante. E quem é que já viu o vídeo do Eduardo Madeira nú no Marquês de Pombal?

Ele próprio disse que era uma promessa. E, como ele, aposto que muitos portugueses, e europeus, também disseram “Se Portugal for campeão eu faço…” (as reticências são para preencher ao gosto de cada um). Diga-se, de passagem, que o Eduardo Madeira foi muito fraquinho a cumprir a sua promessa. “Andar nú no Marquês” seria um feito histórico se ele o tivesse feito durante o dia da festa, ou na noite em que ganhámos o europeu.

Despir-se durante 30 segundos no Marquês, quando são 6 da manhã e não está lá ninguém, é miséria. Cumpriu o que disse? Sim, claro. Mas foi tão fraquinho, tão pouco corajoso. Se é para fazer, que seja em grande!

Pensemos agora em todas as outras promessas, especificando uma: tatuagens. Sem querer ser adivinho, acho que existem várias pessoas que disseram “Se Portugal for campeão vou tatuar…” (as reticências preenchem-se de acordo com a criatividade de cada um). E quantos é que o cumpriram? Provavelmente, foram poucos.

Não sei se existem, mas gostava muito que existem muitas lojas de tatuganes perto do Marquês. Ou melhor, devia de existir uma loja ambulante de tatuagens em cada sítio onde se festeje loucamente. Deviam existir muitas em cada sítio, para evitar filas de espera.

Porquê? Hoje, teríamos pessoas que tinham o Éder tatuado nas costas, ou então tatuavam uma taça, ou, para os fãs do Quaresma, tatuavam uma pena. Onde? Não interessa. Mas, o que é certo, é que existiriam muito mais pessoas com tatuagens do arrependimento, daquelas que só se fazem quando o corpo está presente, mas a mente já desligou. Seria um fartote de rir durante o verão. Nunca se iria à mesma praia duas vezes, só para procurar mais parvoíce eterna pintada no corpo.

Era mesmo engraçado passear na praia e ver alguém com um Éder gigante nas costas. Fica a ideia. Felizmente, já existe solução para todos aqueles que fazem tatuagens mal pensadas. Alguém decidiu investir dinheiro e abrir uma loja da salvação: uma loja de remoção de tatuagens! Realmente é bem pensado, mas só devia ter aberto depois de alguém tatuar um Éder gigante nas costas.

Ser Vintage é ler um jornal!

Vintage. Uma palavra chique para caracterizar tudo o que é bonito e antigo. Eu não sou um dicionário, mas pelo que ouço, acho que acertei na definição. O importante deste conceito nem é a questão de ser algo bonito ou não, tem mais a ver com a definição de antigo. Um telemóvel topo de gama lançado em 2006 (há 10 anos), hoje, já é antigo.

Então e ler um jornal daqueles de papel, com tinta e com o seu próprio cheiro? Será um hábito VINTAGE?

Pode não ser, mas é um hábito tão nostálgico. Ler o jornal é uma experiência de sentidos. Sem contar com o paladar! Quer dizer, é capaz de existir alguém que goste de comer jornais, nunca se sabe e eu não julgo. Mas, voltando aos sentidos. Tenho um certo fascínio pelo tipo de papel e pelo cheiro que deita. O cheiro é uma nostalgia de infância, de quem tentava ler o máximo possível de um jornal, cheio de notícias frescas, com um “enorme” prazo de validade de 24 horas. E o toque? Aquela textura de papel porquito que deixava as mãos sujinhas é também muito nostálgico! Faz-me voltar aos tempos em que ouvia a minha mãe dizer: “O que andaste a fazer na cozinha? A mesa está PRETA!!!” E eu, sempre demasiado ingénuo, não percebia de onde vinha a sujidade.

Ler o jornal é um hábito que a internet transformou, mas um hábito que quero manter e que muito gosto me dá. Assim sendo, sou vintage porque leio o jornal. Sou daqueles dementes que não se contenta com a rapidez e com a superficialidade das notícias que aparecem e desaparecem dos sites que as divulgam.

Para quem escreve, a internet é uma imensidão de folhas brancas que todos podem ler. E eu, sonhador que sou, espero um dia ter (pelo menos) um jornal sujo com palavras que eu próprio juntei. Enquanto esse dia não chega, fico a escrever aqui, feliz da vida, neste mar de palavras e textos sem cheiro.

Nota final:

Vou ser muito pragmático. Todas as minhas referências sobre notícias e jornais têm um predicado comum: A’Bola. Nem sei se se escreve assim, mas acho que todos sabem o que é. E, sem ser obsessivo, é a única página nos favoritos do meu smartphone e a única que consulto diariamente, mais do que uma vez. Gosto de futebol (e de desporto também, mas o futebol domina o mundo) e gosto de estar atualizado. Mas, sinceramente, gostava de não estar tão atualizado, gostava de comprar mais vezes o jornal.

A culpa é da música!

É sempre muito mais fácil culpar alguém pelo que de mal acontece a alguém. Eu não pertenço a essa equipa, mas hoje jogo desse lado. Só hoje!

Hoje foi dia de jogo, foi dia de ver a selecção! Não vou comentar o jogo, nem falar sobre o que aconteceu durante os 90 minutos. Para isso, existem cerca de 900 pessoas que já o fazem em variadíssimos (mas iguais) programas de televisão sobre futebol. Vou só dizer isto: hoje Portugal não ganhou e a culpa é do Pedro Abrunhosa!

Atenção! Eu não tenho nada contra ele, nem contra a música que ele fez para apoiar a selecção. Está tudo muito giro, os anúncios, a ideia, o conceito, gosto disso tudo. O que me chateia é que a música é muito calminha.

Músicas de apoio a um clube, seja qual for o desporto, tem de ser animadas, ou gritadas de tal forma que são hinos arrepiantes. A música “que vai ajudar a selecção a ganhar o Europeu” é muito desmotivante. É calma, é parada e, quando cantada em estádio, fica um ambiente realmente estranho. Sobre músicas de apoio à selecção tenho muito mais a dizer, mas hoje fico-me por aqui.

Uma coisa é certa! Se os jogadores ouvem a música antes de entrar em campo, o empate fez todo o sentido!