O sol e uma sesta à janela

O despertador toca e hoje é um dia muito importante na vida de Nuno. É o exame final da sua licenciatura, aquele que vai definir o futuro do seu próximo ano: repetir tudo de novo ou deixar, finalmente, a escola para trás das costas? Tudo será decidido nas próximas horas.

Com a preocupação de chegar a tempo, Nuno deixou tudo preparado. O pequeno-almoço vai ser comido durante a não muita curta viagem de comboio, a roupa está escolhida e o banho foi tomado ontem. Afinal, cheirar bem não é requisito que conte para a avaliação.

Sai de casa, apanha o comboio e o lugar do costume, à janela, está lá à sua espera. Uma hora depois, Nuno está sentado em frente a um computador, nervosamente ansioso para que comece e acabe este inferno. 36 Perguntas, 36 respostas, tudo em escolha múltipla e o exame está feito. A melhor parte são os 5 segundos que separam o fim do exame do resultado final. São, também, os 5 segundos mais longos da vida de cada um destes estudantes.

Cinco, quatro, três, dois, um… APROVADO! É o dia mais feliz na vida de Nuno! Liga ao pai, liga à mãe e vai festejar com os amigos. O dia é de festa, está calor e, entretanto, Nuno aprecia a bonita paisagem que o mar oferece. Mas Nuno não está na praia e está um vidro a separá-lo da brisa marítima que a paisagem oferece.

Ofuscado pelo reflexo do sol no vidro, Nuno ouve barulho e olha em sua volta. Ao seu lado, não está nenhum amigo, mas estão várias pessoas, sentadas e em pé. Nuno está confuso e percebe que ainda está no comboio. A viagem é curta, o sono era muito e, sem dar conta, Nuno tinha adormecido durante a viagem. Nada está perdido, ninguém está atrasado, mas toda aquela felicidade foi só um sonho bom.

O mundo precisa de mais ronha

O Outono já chegou, mas ainda não se lembrou que é a vez dele de pegar no leme da meteorologia. Se o Outono fosse uma pessoa, era aquela que entra às 9h, é pontual, mas primeiro vai ver o mail pessoal, ler as “gordas” dos jornais e, sorrateiramente ou não, dá uma olhadela nas redes sociais.

O Outono esfria as ruas, mas aquece as camas. Com os mesmos lençóis, o nosso ninho torna-se mais quente, mais apetecível, mais ternurento, mais acolhedor. É a altura do ano que nos lembra de como é bom estar na ronha. Para mim, estar na ronha é melhor quando se tem algum lado para ir. É a ginástica de querer ficar o máximo tempo possível na cama, antes de sermos obrigados a sair de lá.

Também gosto de fazer ronha nas férias e no fim-de-semana, mas assim tem outro sentido, tem outras emoções envolvidas. Estar na ronha é acordar quentinho, na cama, no escuro, com ou sem despertador, ver as horas com o olho menos preguiçoso, e pensar: “ainda posso ficar mais 5 minutos.” E, por vezes, estes são os melhores 5 minutos do dia, mas também os mais stressantes.

Se por um lado, estes 5 minutos se multiplicam todos os dias fazendo com que seja preciso fazer tudo à pressa sacrificando o pequeno-almoço ou o banho para não sair atrasado, por outro, estes são os 5 minutos mais descansados e vazios do dia, que passeiam ao som de “aqui está tão bom, vou aproveitar só mais um bocadinho”.

A ronha é um pequeno prazer da vida e, como tal, deve ser bem aproveitado. Felizmente, é um daqueles prazeres de que podemos usufruir todos os dias. No meu relógio já são 19h, que boa notícia! Daqui a 12 horas estou na ronha outra vez, que maravilha!

A Minha Caminha

“As saudades que eu já tinha
Da minha alegre caminha
Tão fofinha quanto eu.

Meu Deus como é bom deitar,
Dormir sestas ou ‘sleepar’
Numa cama com lençóis.”

Se quiser continuar a cantar esta nova versão da música, é só repetir estes versos mais vezes: a música original também tem uma letra repetitiva. Provavelmente, a música vai ficar na cabeça durante o resto do dia. E, se gosta de Xutos, talvez precise de ir ouvir a música “verdadeira” para combater uma qualquer nostalgia. Na pior das hipóteses, vai gostar desta nova letra e adaptá-la num futuro karaoke. Tudo isto são suposições, mas já me sinto orgulhoso.

A minha cama é espectacular. Isto sim, é algo de que vale a pena falar. A minha cama é minha confidente, de pensamentos, de sonhos e de alguma (pouca) baba. Sei que posso sempre contar com ela, estará lá sempre para me receber, de braços abertos e colchão reconfortante. Sempre que me deito, sinto um abraço carinhoso que diz “Bem-vindo de volta”.

Será amor? Talvez.

Sinto saudades de poder dormir sem ter hora para acordar. Não que eu durma muito, é só porque gosto de ser eu a escolher quando quero abandonar o meu abrigo. E isto de passar tempo a menos com a minha cama, deixa-me com saudades dela. Ou do colchão. Ou dos dois. Confesso que a minha cama e o meu colchão são um casal perfeito. Juntos somos um ménage inseparável.

Verdade seja dita. Independentemente do tempo, dormir é muito bom!