A Taça de Portugal e uma pitada de suor

Por vezes, as ideias vêm ter comigo, mas hoje não é assim. Hoje, o tema é da atualidade. Domingo, dia de festa, dia da Taça de Portugal, um dia cheio de acontecimento comentáveis a todos os níveis. Mas é aqui que eu separo as águas porque quero comentar o que todos estão a ignorar.

Vou falar apenas sobre aquele pequeno rapaz; Jiménez, que celebrou um golo com uma máscara na cara. O que é que isso tem de mal? Nada! Até achei que foi uma manobra de marketing espetacular (e eu gosto muito destas coisas). Mas onde é que ele tinha a máscara guardada?

Eu respondo. Nos calções. Portanto, ele andou a correr durante 48 minutos, marcou um golo e tirou uma máscara que andou no rossa-rossa com as pernas e com as cuecas durante aquele tempo todo. Eu não sou de intrigas, mas quem corre mais de meia hora já fica a suar bastante das virilhas, não é?

Futebol, um desporto onde jogadores decidem esfregar o seu próprio suor na cara quando se sentem felizes. E se isto pega moda? Será que vamos ter alguém a tirar um segundo par de cuecas para pôr na cabeça? Eu acho que, à partida, já é uma ideia vencedora!

Em resumo, tudo isto foi uma jogada de marketing brutal e foi o mais interessante que aconteceu no jogo todo. Ainda assim, acho que o Jiménez devia pedir desculpa àquele senhor que parecia o vilão do primeiro filme do Homem Aranha que decide ir surfar umas nuvens para depois entregar a bola ao árbitro. Bela maneira de roubar as atenções!

Martim descansa à sombra de uma resolução de ano novo

Ano novo, vida nova! É uma das frases mais ouvidas e lidas no dia 1 de janeiro de cada ano. Normalmente, com ou sem superstições, todos têm direito aos seus 12 desejos. Pensando nisto, talvez o génio da lâmpada fosse um grande forreta. Para quê procurar a lâmpada mágica como se não houvesse amanhã se, no final de cada ano, vamos ter os nossos 12 desejos? Bem melhor do que ter tanto trabalho para pedir apenas 3!

Martim não liga a nada disso. Tudo o que quer na famosa “PDA” é boa companhia, muita bebida e uma grande festa. Depois, para celebrar o primeiro dia do ano, cumpre a tradição de ir almoçar com a sua irmã mais velha, já casada e à espera de bebé. Mas este ano tem uma pequena diferença, o rapaz decidiu fazer uma resolução de ano novo: fazer exercício físico.

Não precisa de emagrecer, nem quer ficar musculado. Apenas está cansado de se cansar. Martim tem 23 anos e, curiosamente, é o mesmo número de degraus que o deixam ofegante. Para chegar à porta de casa da irmã faltam 7, que percorre com a ajuda do corrimão

Envergonhado, tenta respirar fundo e recuperar o ânimo, mas por muito que disfarce, a irmã já o topou. “Não tens vergonha Martim? Quem não souber onde moras vai pensar que corres uma maratona para aqui chegar.” Com longas pausas, reflexo do cansaço, Martim responde “Eu sei mana, mas não te preocupes. Este ano decidi que vou começar a correr.”

As resoluções são bonitas de se dizer, ficam bem no papel, mas são sempre decididas numa má altura. Depois do almoço volta a casa. Martim gosta de passar longas tardes no sofá, quanto mais preguiçoso for, mais feliz fica. “Já deve estar frio, o melhor é começar amanhã.”

Ao segundo dia, Martim não pensa em mais nada senão na primeira corrida, no primeiro passo que fará dele um homem que cumpre com a sua palavra. Volta do trabalho, equipa-se a rigor e sai para a rua. Distraído como sempre, descobre que está a chover muito, o suficiente para que adie a corrida. Ainda assim, volta de peito cheio, orgulhoso por ter cumprido a sua promessa sem ter de perder uma gota de suor.

Para não ser novamente enganado, Martim decide espreitar as previsões e descobre o que secretamente queria: vai chover a semana toda! Desanimado, promete a si mesmo que correrá lado a lado com o primeiro raio de sol do ano. No sábado, o dia está lindo, solarengo e animador, ideal para tudo o que se queira fazer na rua.

Para aproveitar o dia, Martim liga a uns amigos e vão todos beber uma imperial para a praia. Tal como a chuva, a vontade de correr desapareceu sem deixar rasto. Pelo areal, várias pessoas vão correndo à beira-mar, mais depressa ou mais devagar. “Correr com um sol destes? Que desperdício de tempo. Mas pronto, há malucos para tudo!”

Para mim, Jogos Olímpicos são rotina

As Olimpíadas são de 4 em 4 anos, mas eu sinto-me um atleta de alta competição todos os dias. Excepto naqueles dias em que não saio de casa, esses sim, dias de verdadeiro descanso. Infelizmente, a modalidade que mais pratico não é reconhecida pelo Comité Olímpico, o que é uma tristeza porque eu sinto-me capaz de lutar por medalhas.

Pelo que vou percebendo, existem poucos atletas para tornar isto oficial. É uma pena. Mas afinal o que é que eu faço muito bem? Sou muito bom a contornar e a desviar-me do trânsito das pessoas que circulam em passeios, escadarias, passadeiras, centros comerciais, ou qualquer outro sítio. Especialmente em hora de ponta, numa estação de comboio ou metro. Desvio-me tanto que estou 5 minutos a andar sem me mexer.

Parece que todas as pessoas que se cruzam no meu caminho são setas que apenas conseguem caminhar numa direcção: em frente. Vão, a caminhar, como se fosse a final dos 100 metros, sempre a direito até ao seu objectivo. E eu, que não quero entrar em colisão com ninguém, vou fazendo o meu slalom, fintando todos os que aparecem, como se tivesse dentro de um caiaque a descer um rio, fazendo razias a todas as rochas que aparecessem.

Felizmente, uma pequena minoria de pessoas são como eu e, sempre que encontro um atleta desta mesma modalidade, não consigo não me rir depois do encontro. É hilariante ver o que acontece, se bem que, como acontece sempre comigo, fico-me pela imaginação. Quando duas pessoas assim se cruzam, acontece sempre o mesmo. Decidem desviar-se para o mesmo lado, e de repente, parece o início de uma coreografia alucinante. “Dançamos?”, penso eu, sem nunca o dizer em voz alta, porque seria estranho e porque, entretanto, já ambos seguimos o nosso caminho.

Promessas e mais promessas

Portugal é campeão europeu! Ficou meio mundo histérico com este feito histórico. Já todos festejámos (uns hão de continuar os festejos), já todos vimos aqueles milhares de vídeos virais sobre o Ronaldo, o Éder, os jornalistas, os franceses, e por aí em diante. E quem é que já viu o vídeo do Eduardo Madeira nú no Marquês de Pombal?

Ele próprio disse que era uma promessa. E, como ele, aposto que muitos portugueses, e europeus, também disseram “Se Portugal for campeão eu faço…” (as reticências são para preencher ao gosto de cada um). Diga-se, de passagem, que o Eduardo Madeira foi muito fraquinho a cumprir a sua promessa. “Andar nú no Marquês” seria um feito histórico se ele o tivesse feito durante o dia da festa, ou na noite em que ganhámos o europeu.

Despir-se durante 30 segundos no Marquês, quando são 6 da manhã e não está lá ninguém, é miséria. Cumpriu o que disse? Sim, claro. Mas foi tão fraquinho, tão pouco corajoso. Se é para fazer, que seja em grande!

Pensemos agora em todas as outras promessas, especificando uma: tatuagens. Sem querer ser adivinho, acho que existem várias pessoas que disseram “Se Portugal for campeão vou tatuar…” (as reticências preenchem-se de acordo com a criatividade de cada um). E quantos é que o cumpriram? Provavelmente, foram poucos.

Não sei se existem, mas gostava muito que existem muitas lojas de tatuganes perto do Marquês. Ou melhor, devia de existir uma loja ambulante de tatuagens em cada sítio onde se festeje loucamente. Deviam existir muitas em cada sítio, para evitar filas de espera.

Porquê? Hoje, teríamos pessoas que tinham o Éder tatuado nas costas, ou então tatuavam uma taça, ou, para os fãs do Quaresma, tatuavam uma pena. Onde? Não interessa. Mas, o que é certo, é que existiriam muito mais pessoas com tatuagens do arrependimento, daquelas que só se fazem quando o corpo está presente, mas a mente já desligou. Seria um fartote de rir durante o verão. Nunca se iria à mesma praia duas vezes, só para procurar mais parvoíce eterna pintada no corpo.

Era mesmo engraçado passear na praia e ver alguém com um Éder gigante nas costas. Fica a ideia. Felizmente, já existe solução para todos aqueles que fazem tatuagens mal pensadas. Alguém decidiu investir dinheiro e abrir uma loja da salvação: uma loja de remoção de tatuagens! Realmente é bem pensado, mas só devia ter aberto depois de alguém tatuar um Éder gigante nas costas.

Ser Vintage é ler um jornal!

Vintage. Uma palavra chique para caracterizar tudo o que é bonito e antigo. Eu não sou um dicionário, mas pelo que ouço, acho que acertei na definição. O importante deste conceito nem é a questão de ser algo bonito ou não, tem mais a ver com a definição de antigo. Um telemóvel topo de gama lançado em 2006 (há 10 anos), hoje, já é antigo.

Então e ler um jornal daqueles de papel, com tinta e com o seu próprio cheiro? Será um hábito VINTAGE?

Pode não ser, mas é um hábito tão nostálgico. Ler o jornal é uma experiência de sentidos. Sem contar com o paladar! Quer dizer, é capaz de existir alguém que goste de comer jornais, nunca se sabe e eu não julgo. Mas, voltando aos sentidos. Tenho um certo fascínio pelo tipo de papel e pelo cheiro que deita. O cheiro é uma nostalgia de infância, de quem tentava ler o máximo possível de um jornal, cheio de notícias frescas, com um “enorme” prazo de validade de 24 horas. E o toque? Aquela textura de papel porquito que deixava as mãos sujinhas é também muito nostálgico! Faz-me voltar aos tempos em que ouvia a minha mãe dizer: “O que andaste a fazer na cozinha? A mesa está PRETA!!!” E eu, sempre demasiado ingénuo, não percebia de onde vinha a sujidade.

Ler o jornal é um hábito que a internet transformou, mas um hábito que quero manter e que muito gosto me dá. Assim sendo, sou vintage porque leio o jornal. Sou daqueles dementes que não se contenta com a rapidez e com a superficialidade das notícias que aparecem e desaparecem dos sites que as divulgam.

Para quem escreve, a internet é uma imensidão de folhas brancas que todos podem ler. E eu, sonhador que sou, espero um dia ter (pelo menos) um jornal sujo com palavras que eu próprio juntei. Enquanto esse dia não chega, fico a escrever aqui, feliz da vida, neste mar de palavras e textos sem cheiro.

Nota final:

Vou ser muito pragmático. Todas as minhas referências sobre notícias e jornais têm um predicado comum: A’Bola. Nem sei se se escreve assim, mas acho que todos sabem o que é. E, sem ser obsessivo, é a única página nos favoritos do meu smartphone e a única que consulto diariamente, mais do que uma vez. Gosto de futebol (e de desporto também, mas o futebol domina o mundo) e gosto de estar atualizado. Mas, sinceramente, gostava de não estar tão atualizado, gostava de comprar mais vezes o jornal.

A culpa é da música!

É sempre muito mais fácil culpar alguém pelo que de mal acontece a alguém. Eu não pertenço a essa equipa, mas hoje jogo desse lado. Só hoje!

Hoje foi dia de jogo, foi dia de ver a selecção! Não vou comentar o jogo, nem falar sobre o que aconteceu durante os 90 minutos. Para isso, existem cerca de 900 pessoas que já o fazem em variadíssimos (mas iguais) programas de televisão sobre futebol. Vou só dizer isto: hoje Portugal não ganhou e a culpa é do Pedro Abrunhosa!

Atenção! Eu não tenho nada contra ele, nem contra a música que ele fez para apoiar a selecção. Está tudo muito giro, os anúncios, a ideia, o conceito, gosto disso tudo. O que me chateia é que a música é muito calminha.

Músicas de apoio a um clube, seja qual for o desporto, tem de ser animadas, ou gritadas de tal forma que são hinos arrepiantes. A música “que vai ajudar a selecção a ganhar o Europeu” é muito desmotivante. É calma, é parada e, quando cantada em estádio, fica um ambiente realmente estranho. Sobre músicas de apoio à selecção tenho muito mais a dizer, mas hoje fico-me por aqui.

Uma coisa é certa! Se os jogadores ouvem a música antes de entrar em campo, o empate fez todo o sentido!