Soneto à Chuva

No meio do inverno,
Que nunca é eterno,
Aconselho uma boa bota
Como se usa na tropa.

É o remédio perfeito
Para quem não tem jeito
De escolher uma bota estilosa
Muito bonita ou muito feiosa.

A chuva é intensa e forte
E que enorme falta de sorte
Por só ter ténis de pano.

Ficam molhados num instante
E talvez seja um ignorante,
Mas não, sou só humano.

A Chuva em estado de espírito

Está chuva, está vento,
E que preguiçoso estou.
O meu carro estava sujo,
E agora lavado ficou..

A chuva está de volta
E os meus ténis cheios de pó.
Vou chapinhar nas poças
Como se fosse um tótó.

Abri o meu guarda-chuva,
E o vento partiu a vareta.
Podia comprar um novo,
Mas sou um pouco forreta.

Maria bailarina, a chuva não te acerta

Maria adora o sol, vive bem com ele e é tão mais feliz quanto maior for o brilho que vem do céu. Maria é uma rapariga confiante, responsável e vaidosa. É simples e gostas das coisas boas da vida. Até gosta de chuva, mas só de noite ou ao fim de semana, quando pode ficar no conforto do seu lar.

Maria gosta de se vestir bem, sempre consoante o que o tempo deixa. Amanhã chove, mas Maria gosta de ver o lado bom das coisas. Tem umas galochas “giríssimas” prontas a estrear e um guarda-chuva que combina com a roupa que escolheu para amanhã. “Se o dia é cinzento, pelo menos eu serei um raio de sol brilhante.”

O sol nasce, mas o despertador toca antes. Prepara-se e sai de casa, pronta para enfrentar a chuva, que não é forte, não é fraca, mas molha. Maria vive perto do seu trabalho e vai a pé. O chão é torto e as poças são muitas. Um passo maior, um mais pequeno, esquerda, direita e um saltinho. Cansada, pensa: “Tanto esforço para quê? Tenho galochas e as poças não me assustam! Mas assim ainda se sujam que horror. Que má figura que ia fazer!”

Parou de chover, mas Maria contínua, pé ante pé, a desviar-se de todas as poças, com a arte de quem já foi bailarina, até chegar ao trabalho. Quando vai abrir a porta, alguém grita: “Mariaaaaaaaaaaaa!!!”. Dá um passo atrás e decide espreitar. Nesse preciso instante, um sopro de vento desloca uma gota da varanda do quinto andar, que ganha velocidade, e aterra naquele pequeno milímetro de espaço onde não há cabelo.

“Ai que horror, que pinga nojenta! Amanhã não me apanhas, amanhã venho de gorro.”