Um Pequeno Café Pequenininho

Gosto do jeito carinhoso com que se fala de coisas pequeninas, mesmo que não o sejam. Afinal, somos um “pequeno” país na ponta da Europa, mas que está recheado de coisas boas para ver e fazer. Portugal é como uma boa bifana de roulotte, o pão é sempre pequeno demais para o tamanho do bife. Seja para quem visita Portugal ou para quem pede a bifana, o resultado é sempre positivo.

Estava eu na fila para pedir um café quando ouço, “são só dois cafezinhos, por favor.” Até nestes pedidos gostamos de ser pequenos (ou será carinho para com desconhecidos?), mas é fácil perceber porquê. Alguém já ouviu alguém chegar a um estabelecimento e dizer “quero um cafézão, se faz favor”? Parece um pedido meio bruto.

Primeiro, é difícil dizer esta frase sem imaginar que é alguém com uma voz grossa, pelo menos é assim que eu imagino e soa-me sempre a um cenário bem engraçado. E será que essa pessoa seria levada a sério? “Quero um croissant misto e um cafézão para levar.” Parece giro, mas improvável. Talvez teste esta ideia um dia.

Talvez seja um problema no nosso discurso. Queremos ser grandes e mostrar a nossa grandeza enquanto povo e país, mas não abandonamos os diminutivos. Porquê? Porque é carinhoso e dá um quentinho no coração. A verdade é que os “-inhos” no fim das palavras ficam melhor que os “-ãos”. Por exemplo, ainda no café, pedem um copinho ou um copão? E não vale responder “copo”!

Não falta aqui um bocadinho de pão?

Comer é bom, é mesmo muito bom, e eu sou uma pessoa muito dedicada à alimentação. Refeições saudáveis ou altamente calóricas, o que interessa é que seja bom e na quantidade que eu queira, muito ou pouco. E é precisamente ao nível da quantidade que eu não entendo os cafés.

Imaginemos que vou tomar o pequeno-almoço. “Quero um Ucal fresco e uma sandes com fiambre e manteiga, se faz favor. Obrigado”, digo eu, ansioso e esfomeado porque o cheirinho de pão quente mexe comigo. Entretanto, chega o meu pedido à mesa. Com o Ucal tudo certo, mas com o pão a história é outra.

Aqui esta ele, carregadinho com 5 fatias de fiambre e meio pacote de manteiga. Para quê o exagero? Assim, quase não consigo saborear o pão. Já para não falar de que, em casa, só ponho duas fatias se a primeira for pequena. Acho que seria muito mais rentável para os cafés se, depois de receber um pedido destes, perguntassem “Quantas fatias deseja? E de manteiga? Corto uma fatia ou ponho um bocadinho como quase toda a gente?”

Na verdade, isto não me incomoda muito. Tal como disse, o que eu gosto mesmo é de comer, por isso, não faço grande cerimónia e nem as migalhas ficam no prato. De qualquer das formas, não era engraçado que pudéssemos escolher a comida desta forma altamente personalizada?

Um café de super-heróis

Eu bocejo, tu bocejas, ele boceja. Todos nós bocejamos, é impossível evitar. Bocejou? Desculpe. Provavelmente, isto não será grande novidade para ninguém, mas o bocejo é contagioso. E não, não é contagioso por toque, só acontece se virmos ou ouvirmos alguém bocejar. Bocejei outra vez. Basta imaginar uma pessoa a bocejar e, de repente, lá vem mais um bocejo. Se calhar já chega.

Acorda cedo, veste-se e vai trabalhar, ou para a escola, ou para onde quiser. No geral, isto é a rotina de muitos de nós, só que uns tomam o pequeno-almoço em casa, outros banham-se antes de sair, depende. Cada um faz o que gosta. Mas, normalmente, todos temos um pouco de sono de manhã. E, sem querer ser a Maia, prevejo que todos nós bocejemos (pelo menos) uma vez, contagiando quem se aproxima.

Descobri que existem pessoas impunes a este flagelo matinal! Devia fazer parte dos testes que fazem para serem recrutados. São pessoas que, ao consegui-lo, merecem o meu apreço. “São os meus heróis”, diria eu se fosse algo mesmo extraordinário, mas não é. Contudo, é um bocadinho impressionante. Quem são eles? Os empregados de cafetarias, pastelarias e afins.

Para quem gosta de beber café no café logo de manhã, bocejar é inevitável, falo por mim. Agora, imaginem que por cada café recebido com um bocejo, o empregado devolvia um bocejo. A conclusão é simples! As pessoas que trabalham em cafés iriam estar constantemente com dores nos maxilares por nunca fechar a boca. Bocejei outra vez. Sou o meu próprio contágio.

Seja forte,
Seja responsável.
Bocejar no café,
É impensável.

E acabar em rima era dispensável.