Monstrinho das Bolachas

Se queres ficar em forma,
Mas és muito preguiçoso
O melhor é começares
Por não seres tão guloso.

Eu percebo a tua luta
Contra as bolachas e o pão.
Mas se continuares assim
Só vais vestir calças sem botão.

Compra uma alface.
Não percas a esperança.
Ainda vais a tempo
De perder essa pança.

Esta é a história
Do Monstro das Bolachas.
Não sei se ele consegue.
E tu, o que achas?

Eterno “Papa-Bolachas”

A gula por bolachas
Parece não ter fim.
Olha ali tão boas,
Encontrei as Chiquilin.

Subo para a balança,
E o meu coração dói.
O melhor é ir comer
Mais uma Chips Ahoy!

Vou ganhar uns quilinhos,
Devia ter mais cautela.
Mas como posso resistir
A uma colher de Nutella?

A preguiça e o pacote de bolachas

Que atire a primeira pedra quem nunca abriu uma embalagem de “abertura fácil” da forma “errada”. Que fique muito claro que, quando falo em “atirar pedras”, não me estou a colocar como alvo. Aliás, eu acho o ditado giro, mas confesso que não sei para onde se atiram as pedras, vou pesquisar. Entretanto, para esta crónica, vou propor um novo ditado, muito mais educativo: “Que dê o primeiro arroto quem nunca abriu uma embalagem de abertura fácil da forma errada!”

Voltando ao tópico, vivemos numa época em que tudo promove a preguiça das pessoas: escadas rolantes, sofás (um bom sofá é tudo o que é preciso para não se querer fazer mais nada senão estar lá), comandos eletrónicos (para a tv, o ac, e outras tantas siglas) e, claro, a abertura fácil.

Aproveito para pedir desculpas a todos aqueles cujo trabalho é pensar e desenhar estas embalagens e pacotes para nos facilitar a vida. Às vezes é trabalho em vão porque eu nem sempre respeito essas instruções. Primeiro porque não as vejo, às vezes porque não as percebo e, a razão mais importante, porque estou cheio de fome e quero muito comer as minhas bolachas, ou outras comidas, mas sobretudo bolachas.

É tudo à bruta! O meu cérebro não raciocina assim tão bem, ele pensa logo na forma mais fácil de abrir os pacotes. Logo, a abertura fácil é a opção que o meu cérebro escolhe. É simples, se é cartão, rasga-se. O meu cérebro conhece-me demasiado bem, ao ponto de saber que eu vou perder tempo a mais à procura dessa abertura e porque, se a encontrar, vou querer abri-la da forma mais perfeitinha, para ficar bonitinho na prateleira da despensa. Sou perfeccionista no que toca à abertura de embalagens de abertura fácil, confesso.

Contudo, é fácil perceber que quem desenha pacotes de leite já percebeu o flagelo da abertura fácil. Para mim, as tradicionais embalagens de leite com abertura fácil eram (e são) abertas com uma faca. Já vi várias pessoas a fazer o mesmo! Outras, optam pelo esteticamente mais bonito e usam uma tesoura. O suposto seria abrir com a mão, daí ser baptizado como “fácil”. Mas não é! Pelo menos não para mim, que acabo sempre a sujar qualquer coisa.

Hoje, abrir um pacote de leite é realmente fácil. Quase todas as marcas perceberam o trabalho que estavam a dar às pessoas e mudaram para as tampinhas. Tal como a água, abre-se e fecha-se de forma simples e eficaz. Pode ser uma questão higiénica, mas eu prefiro pensar que é mesmo para nos deixarem ser mais preguiçosos, visto que não precisamos de faca, nem tesoura, e até podemos beber do pacote para nem sujar canecas.

Quero concluir com uma ideia dirigida a pessoas que lançam produtos: promover formações intensivas sobre a (talvez nova) abertura fácil, com demonstrações e tudo. Façam isso através de anúncios, ninguém precisa de sair de casa para saber abrir um pacote de bolachas.