Aqui vamos nós a caminho desse dia tão esperado quanto odiado, tão aguardado quanto ignorado: o dia de São Valentim, casualmente explorado como Dia dos Namorados. Se este dia fosse a Assembleia da República, tinha ainda mais partidos que as últimas eleições, só não há maioria absoluta nas ideologias da paixão. Também aqui há abstenção, amorosa e não só, mas representa uma pequena minoria.

Primeiro, apresento a candidatura dos “Vulcões Românticos”, o grupo de pessoas que explode amor em datas muito específicas, onde o 14 de fevereiro rivaliza com os aniversários da pessoa amada e da relação em si. Também estão neste grupo as pessoas que anseiam por um pedido de casamento ou gestos românticos ainda maiores como passear um urso de peluche gigante pela rua à vista de todos.

É para estes “Vulcões Românticos” que todos os restaurantes se transformam em buffets de amor com pratos que parecem votos de casamento e as sobremesas chegam ao prato em forma de coração. Tenho a ideia que os cardiologistas também iam gostar de um dia temático sobre o coração, com uma pequena diferença. A seta romântica do cupido, se acerta no coração, é capaz de aleijar.

Os grandes rivais deste partido são todos os outros pares românticos que preferem preparar um dia especial a 13 ou 15 de fevereiro. Não só pela parte financeira, mas essencialmente porque “todos os dias são bonitos para demonstrar amor”. São os “Mealheiros do Amor”, apaixonados um pelo outro e pela conta conjunta que vêm crescer sempre que não celebram o amor a 14 de fevereiro.

Há ainda um terceiro partido a entrar nesta corrida de românticos. Um partido que repudia o capitalismo do amor, que é contra o conceito economicamente rentável do dia dos namorados, não por ser forreta, só por ser do contra. São os “Hispters do Amor”. São também os pioneiros que descobrem os próximos restaurantes mais românticos aos quais vão deixar de ir assim que se tornarem romanticamente trendy.

Há ainda muitos outros pares românticos e poliamorosos que não se identificam com nenhum destes partidos, mas tal como nas eleições, nem todos os partidos têm o mesmo tempo de antena. Contudo, seria igualmente divertido e intelectualmente estimulante ver debates românticos de 25 minutos.

Mas este dia não é apenas sobre o amor acompanhado. É também sobre amor-próprio, solteiros à deriva, encalhados ou orgulhosamente sós. O amor tem espaço para todos, mas falar sobre os partidos que representam cada grupo fica para dia 11 de novembro, o tal “Dia dos Solteiros”. Até porque tão depressa não vamos ter eleições e mais partidos poderão surgir. 

“Ela é um bom partido” nunca me soou partidário, até porque quando se “faz uma cruz” em alguém, significa o oposto de uma cruz no boletim de voto. As metáforas são infinitas e ainda não sei em que partido me quero encaixar, mas sei que se for eleito, vou ser independente.