Depois da Marie Kondo deixar uma onda de arrumação nas nossas casas, o mundo digital está a explodir em desarrumação. Este texto não é patrocinado, mas a Uber, a Bolt, o Facebook, a Zomato, estão um bocadinho descontroladas a criar apps. Será que, em vez de várias, não podem criar uma super-app que junte os serviços todos?

A lógica é simples. Só quero arrumar tudo na mesma gaveta. E tenho a certeza que haverá ainda mais marcas a impingir milhentas apps, mas estas são as que conheço. Não sei quem se lembrou primeiro desta ideia, de criar apps por serviço, mas é como saber quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. Vivo bem sem resposta.

Entre exemplos, temos a Uber e a Bolt para boleias e trotinetas, e as respetivas Eats e Food só para encomendar comida e afins. Podia jurar que “dantes não era nada assim”, mas tenho memória de millennial que navega de trend em trend sem registo do que outrora aconteceu. Continuando no setor alimentar, a Zomato também já tem uma app só para entregas de comida. Não estou a dizer que não faz sentido, porque até percebo a estratégia e o propósito, mas não podemos simplificar? Abrir a app errada é como nos enganarmos num caminho que conhecemos. Podemos sempre fazer inversão de marcha, ou seja, voltar a fechar a app, mas não deixa de ser aborrecido.

Já o Facebook, mesmo não o tendo no telemóvel, sei que tem uma app só para as mensagens. Aliás, não são 2 app, são 4, porque tal como no mundo alimentar, tem de existir uma versão “laite”, que é como quem diz, mais levezinha. É um Facebook para telemóveis que querem emagrecer.

Antevejo um futuro catastrófico, em que cada vez mais apps vão roubar o espaço que queríamos ter no telemóvel para fotos e vídeos de convívios em família, jantaradas de amigos, concertos e festivais. Fotos e vídeos que tiramos para nunca mais voltar a ver. Infindáveis conteúdos que vão sobrecarregando as clouds, dia após dia, sem tréguas, até quando? O meu desejo para 2022 é que estas clouds nunca nos ofereçam trovoada.