Quanto vale um abraço? Amores e amantes, amigos distantes, conectados sem contacto, próximos do ecrã, longe do cheiro. Este é o nosso novo modo de viver, sem toque pela proteção de quem nos rodeia, pelo medo de contagiar quem está connosco. Não há contacto, ficam os olhares. Intensos e doces olhares. E o futuro? Saberemos como o abraçar?

Sou otimista, talvez demais, por isso, olho com um brilhozinho no olhos pelo futuro que está quase a chegar e vai ser bom. Vamos imaginá-lo juntos? 

“E depois de um olá?”, depois de a liberdade ter sido suspensa, no momento em que poderemos reencontrar quem amamos. “E depois de um olá, o que será?” Enquanto se anseia pelo regresso à “antiga vida normal”, eu anseio por abraços. Abraçar e ser abraçado, receber amor com contacto, amor num olhar, num carinho, num sorriso. O digital não nos deixa estar sozinhos, mas não nos rouba as saudades. Entre “calls” de trabalho e conversas com amigos, fotos e vídeos, tudo alimenta a esperança, mas os likes não matam saudades.

Conta a história que, em abril de 74, Paulo de Carvalho cantava a plenos pulmões por um futuro que se sonhava positivo. “E depois do adeus” ecoava nas ruas em que todos gritam pela liberdade recém-conquistada, pela liberdade tão desejada. Hoje, precisamos de um novo tema, um tema que conheça a liberdade que vivemos, a liberdade que temos a certeza de querer voltar a ver, sentir e respirar.