Gosto de escrever, e não sei se gosto de ser lido. Talvez o anonimato, me defenda da opinião que não tenho. Escrever sobre um tema terá sempre a minha visão pessoal, o meu entendimento sobre esse assunto, com ou sem factos. Não quero ser opinion leader, opinion maker, ou qualquer outro estrangeirismo fancy.

Num relance, atropelam-se escritores, colunistas, cronistas e comentadores. Todos querem um raio de sol, todos querem um megafone para a sua opinião. Fica à nossa mercê, gostemos ou não, ela está ali. Por afeição, idolatria ou repúdio, a opinião pessoal de quem lê, vê ou ouve, fica desformatada, fabricada à imagem do que se sente por quem diz.

Vejo o mundo ao contrário. Ou inclinado a três quartos. Nem eu sei. Vejo o mundo pelos meus olhos, que são só meus. A minha opinião vale tanto quanto a opinião de quem a lê, até porque o valor das coisas está, um tanto ou quanto, descabido.

No final, quero ser lido porque gosto do que escrevo. E quando não gosto, também quero ser lido. Continuo apenas sem saber se quero receber esse feedback. Se aparecer, não saberei como reagir, e sem mentir digo: gosto.

Será que um obrigado chega? Sei que o meu obrigado vai ser sempre mais valioso, muito mais, que a minha opinião. Cada letra terá a sua força, a sua emoção, sempre ao lado da palavra escolhida em qualquer apreciação.

Não quero, nem vou, formar opiniões. Escrevo por mim, pelo meu prazer, e não ignoro o orgulho próprio quando sei que o prazer sai de mim para quem me sente.