“O alho do pneu mais ó alho.”, exclama o ginasta ao entrar no balneário, reclamando por uma semana de excesso. Por mais desatento que seja, gosto de observar e ouvir, mas mesmo quando não ouço, estas pérolas vêm ter comigo. Para bom entendedor, chega dizer alho para perceber o que lhe falta.

Nada tenho contra asneiras, apenas sou forreta nessa parte da minha vida. Não me chateia que se use e abuse desse vernáculo, desde que seja bem encaixado. “Encaixe” caiu me agora nas mãos, e não podia existir melhor palavra para enquadrar este alho. Pouco importa a utilização que recebe, só me chateia quando é mal encaixado. Não fisicamente, aqui só discuto gramática.

É uma merda que a merda esteja tão banalizada ao ponto de entrar no dicionário. Contudo, acho que é uma merda que a definição de merda seja uma merda. Por muito que o Priberam diga que é “excremento de ser humano ou de outros aninais”, toda a gente que leu sabe que o significado é mais intenso.

O interesse principal deste texto não era a merda. Era o alho. Que também está a ser banalizado e a perder o seu significado. Sejamos literais ou metafóricos, dois alhos em tão pequena frase é um exagero para descrever tão pequena saliência abdominal.