Gosto do jeito carinhoso com que se fala de coisas pequeninas, mesmo que não o sejam. Afinal, somos um “pequeno” país na ponta da Europa, mas que está recheado de coisas boas para ver e fazer. Portugal é como uma boa bifana de roulotte, o pão é sempre pequeno demais para o tamanho do bife. Seja para quem visita Portugal ou para quem pede a bifana, o resultado é sempre positivo.

Estava eu na fila para pedir um café quando ouço, “são só dois cafezinhos, por favor.” Até nestes pedidos gostamos de ser pequenos (ou será carinho para com desconhecidos?), mas é fácil perceber porquê. Alguém já ouviu alguém chegar a um estabelecimento e dizer “quero um cafézão, se faz favor”? Parece um pedido meio bruto.

Primeiro, é difícil dizer esta frase sem imaginar que é alguém com uma voz grossa, pelo menos é assim que eu imagino e soa-me sempre a um cenário bem engraçado. E será que essa pessoa seria levada a sério? “Quero um croissant misto e um cafézão para levar.” Parece giro, mas improvável. Talvez teste esta ideia um dia.

Talvez seja um problema no nosso discurso. Queremos ser grandes e mostrar a nossa grandeza enquanto povo e país, mas não abandonamos os diminutivos. Porquê? Porque é carinhoso e dá um quentinho no coração. A verdade é que os “-inhos” no fim das palavras ficam melhor que os “-ãos”. Por exemplo, ainda no café, pedem um copinho ou um copão? E não vale responder “copo”!