Martim é dorminhoco, mas hoje não dormiu muito. Também não dormiu pouco. Enfim, dormiu horas suficientes para não ter olheiras, mas insuficientes para conseguir pensar alguma coisa de jeito durante o dia. “Se ainda estivesse na escola, hoje fazia como a Ana Moura e só cantava que “é dia de folgaaa!”. Infelizmente, não é dia de folga, nem feriado, nem fim-de-semana. Triste sorte, é dia de trabalhar.

Martim e a sua enorme vontade de voltar para a cama saem de casa. Em dias como este, as 3 primeiras horas do dia passam rápido, mas às 10 da manhã o apocalipse instala-se. O sono volta com toda a força e ataca os olhos. Martim tenta fixar o olhar no ecrã do computador, mas os olhos insistem em fechar. Abre e fecha, abre e fecha. Que luta intensa! Para quem está de fora, vai pensar que Martim tem pó no olho, mas não, é apenas muito sono.

Com muito custo, Martim vence esta primeira batalha. Os olhos estão abertos, mas o sono continua lá. De repente, Martim vê dois ecrãs, o sono voltava a atacar. Se já é difícil manter o olhar fixo enquanto se pestaneja loucamente, imaginem o que é tentar focar dois ecrãs ao mesmo tempo. Impossível! “Isto não pode ser assim, eu não vou adormecer aqui!” Para contra-atacar esta nova vaga de sono, Martim levanta-se e vai beber café.

O café está quentinho e Martim aproveita para aquecer as mãos. Mesmo em dieta, Martim despeja um pacote inteiro de açúcar. Nunca se sabe, pode ser que também dê alguma energia.  Como se fosse um shot, o café está bebido, a energia está reposta e Martim volta ao trabalho. Não está cheio de energia, mas talvez chegue para aguentar o dia.

Martim senta-se a “dar no duro” e tenta pôr prego a fundo nas suas tarefas. Toda esta energia esgota-se numa hora e Martim começa a sentir a cabeça pesada. Assim do nada, todo o corpo são plumas, mas a cabeça é chumbo. Como se estivesse a curtir um bom Rock’n’Roll, Martim deixa cair a cabeça e levanta-a de imediato. Martim tinha adormecido por segundos. Felizmente, ninguém reparou.

Esta luta não tem fim, por isso, Martim decide ir até ao café comer qualquer coisa. Talvez uma chapada de vento lhe roube o sono, talvez uma tosta mista o faça esquecer que tem sono. “Este dia vai ser tão longoooooo!”