É terça-feira e Martim dorme profundamente. É a melhor parte do dia! Uma parte reservada a sonhos ou a um vazio branco sem preocupações. Só que tudo o que é bom tem um fim, e como Martim não merece excepções, o despertador toca. Está na hora de largar o “lugar mais perfeito e confortável do mundo” e começar a rotina de todas as manhãs.

Sempre num ápice, Martim toma banho, veste-se e alimenta-se. A ordem nem sequer é importante, o que interessa é ficar tudo feito. Martim prepara-se ao sabor do vento e todos os dias são diferentes, depende sempre da fome com que acorda. Assim, todos os dias são diferentes, tal como Martim gosta.

Para quem gosta desta adrenalina matinal de tomar decisões quando acorda, adormecer mais 15 minutos pode ser estimulante. Especialmente porque, nestes casos, já não há tempo para as 3 actividades mais importantes da manhã e é preciso fazer escolhas. Como andar nú ainda não é socialmente aceitável, Martim opta por não tomar banho uns dias e, nos outros, opta por tomar o pequeno almoço fora.

A correria chega ao fim e Martim estás prestes a sair de casa. Pega nas chaves do carro, de casa e vai embora. A viagem de carro é sempre tranquila, mas, de repente, toca o despertador. Era só um sonho, daqueles que enganam a própria realidade. Martim não tinha adormecido, estava a acordar na hora certa, apenas mais confuso do que é normal.

“Mas eu já me tinha vestido? Como é que tenho fome se já tomei o pequeno-almoço?” Dúvidas existenciais causadas por este mini-pesadelo são muito desgastantes e Martim, cansado, faz a rotina toda novamente. Pelo menos uma coisa será mais fácil. A indumentária para o dia já foi escolhida em sonhos, e nem ficou nada mal, por isso, mais vale confiar no seu bom gosto sonhador e não perder mais tempo.