Para um almoço normal em grupo, é sempre necessário arrastar algumas mesas e cadeiras. Trabalho feito e as mesas estão brilhantemente alinhadas. O brilho aqui referido é uma quantidade palpável de gordura que se espalha por cada mesa com um bonito quadro de linhas e manchas desordenadas. Provavelmente, também as cadeiras respeitavam este padrão, mas depois de estar sentado, já ninguém queria descobrir.

Até que chega a empregada alegre com as primeiras toalhas de papel e os primeiros talheres. Como bons cidadãos, cooperámos e ajudámos na colocação de tudo e não demorou muito até ver que, em alguns talheres, claramente mal lavados, existia alguma gordura. Talvez mal lavados não seja a expressão certa porque, quando se encontrar alguns restos de comida nos garfos, talvez não tenham sido lavados de todo. Ainda assim, já eram 14h e a fome ouvia-se em cada barriga.

Depois dos primeiros talheres colocados, a empregada encontra o senhor que ainda está a fumar e trocam um pequeno diálogo. É sempre importante referir que, o senhor que “degustava” calmamente o seu cigarro enquanto esperava ser atendido, tinha ao seu dispor um boião de polpa de tomate. Se isto é estranho, o que dizer do conteúdo do boião? Era uma mistura que não me lembro de ver, mas pela expressão que fazia ao saborear a polpa de tomate com vinho tinto, só pode ser bem gostoso.

Empregada: Não pode fumar aqui, até está ali um sinal.
Senhor: Finalmente, reparou. Agora, já fumei o que tinha a fumar. Se tivessem uma mesa lá fora, isto não acontecia. (e envia a beata para o rés-do-chão)

Sem saber o que dizer, a empregada desce para ir buscar mais talheres e copos. Já o senhor ficaria sentado mais uns 5 minutos até ir embora. Uma coisa é certa e dou-lhe razão nisso. Uma mesa lá fora teria sido incrível, mas com isso, nunca ninguém saberia deste incrível filme que vivi.

Juntamente com os restantes talheres, chegam os copos e nós fazemos os nossos pedidos. Sobre os copos, apenas digo que pertenciam ao mesmo conjunto, visto que mantinham o padrão das mesas e cadeiras. Enquanto se esperava pela tão aguardada comida (que demorou um bom bocadinho) deu para olhar bem para o espaço em redor.

A porta do quadro elétrico aberta é algo que se estranha pouco, mas uns vidros tão sujos são difíceis de ignorar. Digamos que a única comparação que consigo encontrar é imaginar o vidro de um carro que andou em terra batida, ficou cheio de pó e foi “lavado” com uma chuva miudinha que durou apenas dois minutos. Dá para visualizar? Eu preferia comprar um vidro novo do que tentar limpar aquilo.

Mesmo assim, estava muito otimista e ansioso pelo meu Bacalhau à Braga. Ou isso ou tinha mesmo tanta fome que estava capaz de comer cartão. Nunca percebi esta expressão, nem nunca provei cartão. Será bom? Talvez não.

(Ler o Primeiro Episódio desta magnífica história.)