Martim é um apaixonado pelo verão, pela praia e por mergulhos infinitos. Está na hora de preparar tudo e ir rumo ao areal mais próximo para o primeiro mergulho do ano. Não, não é dia 1 de Janeiro porque Martim não alinha nessa paranóias malucas e rituais de boa sorte.  O seu único amuleto são os novos calções de banho.

Toalha ao pescoço, comida às costas e um chapéu-de sol na mão direita, é tudo o que precisa para montar o seu “estaminé” de relaxamento. Num ápice, a toalha está esticada ao máximo para conseguir ocupar o maior número de grãos de areia possível e guardar um bom lugar. Este ritual de verão é mais ou menos parecido com o comportamento dos cães ao urinar numa boca-de-incêndio: ambas servem para marcar território.

O sol está fraco e o protetor solar nem sai da mochila. Martim não perde tempo e corre para a água como se não existisse amanhã. A água está fria, mas isso não interessa porque o entusiasmo de estar dentro de água enche-lhe o coração. Tal como um peixe cheio de energia, Martim mergulha e nada sem parar.

“Uau, estes calções são incríveis! Tão leves, tão confortáveis, até parece que nem estou a usar nada!” É um dos pensamentos de Martim enquanto se diverte sozinho a chapinhar. Cansado, decide sair da água e testar quão rápido secam os seus novos calções.

Martim sai da água e começa a sentir-se muito observado, tal como se fosse uma a primeira estrela de cinema a pisar aquele areal. Sem perceber o porquê, Martim contínua a andar lentamente até à toalha, mas os olhares aumentam e desconforto também. Os calções, que pareciam tão leves, tinham ficado perdidos num dos muitos mergulhos e Martim caminhava nú, para espanto de grande parte dos banhistas.

Envergonhado pelo aparato, Martim resiste à tentação de fugir, enche o peito e continua a caminhar com confiança até à toalha. Deita-se de costas e aproveita para tomar um banho de sol. Podia ter sido traumático para a sua vida, mas não. Este foi o dia em Martim se tornou nudista!