Uma vida tão injusta

“Olá! Desculpem. Estou nervosa. Preciso de desabafar como me sinto, o que penso, e nem sempre consigo ter coragem para o fazer. Hoje, é o dia! Não aguento mais! Ninguém quer saber de mim, só me ligam quando ela não pode ou está ocupada. Exijo respeito, igualdade. Parem de venerar a minha irmã! Já chega! Eu também sou boa, sabiam?

Eu tenho uma irmã gémea e somos iguaizinhas. A única diferença é que ela é adorada e eu sou esquecida, constantemente. Vivemos juntas, estamos sempre juntas, mas nunca ninguém me vê. Estou sempre fora das grandes decisões, das coisas mais importantes. Por exemplo, porque é que nunca sou eu a mudar o canal da televisão? Eu também consigo, tão bem quanto ela.

Dêem-me uma hipótese, pelo menos uma e vão ver do que sou capaz. Quando é preciso escrever, ou assinar algum documento importante, pedem sempre à minha irmã. As únicas vezes que se lembram de mim, é quando a minha irmã fica sem força e precisa da minha ajuda. Aí, trabalhamos em equipa, mas ninguém me agradece.

De vez em quando, lembram-se de mim e pedem alguma coisa. Dou sempre o meu melhor, mas nunca ficam satisfeitos. Estou farta de viver na sombra da minha irmã. Quero uma vida melhor!”

Este é o desabafo sentimental de uma mão esquerda que vive assombrada no corpo de um destro. O seu único desejo era ter um dono esquerdino.

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