Todos os dias, desde que acorda até adormecer, o coração de Romeu palpita de amores. Louco é esse sentimento que o faz levantar da cama feliz, ansioso por mais um dia. Tal como no romance de Shakespeare, também este Romeu sofre por amor, mas sofre menos porque os tempos são outros e existem mais distrações.

A melhor parte do dia de Romeu é fazer a sua pequena rotina dos dias úteis, especialmente a parte daquele percurso a pé que o distancia do trabalho. A meio do caminho está um pequeno supermercado, sempre de porta aberta com vista privilegiada para a única caixa registadora do estabelecimento. Lá, nesse pequeno cantinho, mora o seu maior amor, a sua “Julieta”.

Sempre que se aproxima da porta, Romeu abranda o passo e vai, pé-ante-pé, sorrindo lá para dentro. Sem a coragem de dar o derradeiro passo, o sorriso fica tímido e nunca tem resposta. Do outro lado, a menina ignora e fica concentrada na sua função. Mas Romeu não desiste pois, mais tarde ou mais cedo, aquela menina não resistirá ao seu encanto.

Por vezes, o amor é incompreendido e acaba por nos levar a fazer as coisas mais impensáveis quando menos esperamos. Foi o que fez Romeu. Passavam exatamente 23 dias desde que trocaram o primeiro olhar, 23 dias desde que se deixou apaixonar. Determinado, o jovem decidiu que hoje seria o dia de declarar todo o seu amor.

Apaixonado, de coração palpitante, Romeu entra na loja a toda a velocidade e, sem pensar duas vezes, atira-lhe os lábios com todo o entusiasmo. A menina fica surpreendida, imóvel, mas deixa-se derreter pelo seu encanto. Parece um final feliz, mas não. Romeu tinha-se apaixonado por uma pequena tablete de chocolate que, apaixonada ou não, não teve a mínima hipótese. Satisfeito, seguiu o seu caminho de coração vazio, mas com a barriga cheia.