Manel já não olha para a bola, deixou-a mesmo fugir, o que torna a música popular de crianças cada vez mais desactualizada. Um dia, Manel olhava para a frente para ver a bola fugir, mas hoje Manel só olha para baixo. Manel já não liga a nada disso, é adolescente e vive com os olhos no ecrã de um qualquer smartphone.

Manuel tem 15 anos e outros tantos sobrenomes ligados por hífens. Vem de boas famílias e teve a melhor educação possível num colégio onde não se fala português. Aprendeu quase tudo, menos as regras de andar a pé na rua. Manel anda a olhar para baixo porque a rua já não tem interesse, mas uma qualquer rede social tem. Por isso, ele anda pé ante pé, deslizando pela vida que vê dos seus “amigos” e “seguidores”.

Manel tem a testa vermelha, já nem é direita, como se fosse uma estrada de terra batida. Manel tem conhecido de perto todos os postes de iluminação com que se cruza. Bate-lhes com força, à velocidade do seu passo. “Que estupidez que é existir postes com lâmpadas na rua, até parece que não sabem que o iPhone tem lanterna.” Manel vive na mais alta tecnologia, mas a rua ainda não fez a última actualização.

É um azar! Nenhum dos seus “seguidores” anda de facto atrás dele. Se isso acontecesse, talvez Manel ainda tivesse uma testa lisa, sem marcas parolas a dizer: EDP.