Gosto da maneira em como nós, humanos, temos certas simbologias gestuais. São pequenos pormenores que todos entendemos sem falar muito sobre o assunto. Sou um observador desatento, mas acho graça à forma como as pessoas dão a volta a situações caricatas que podem acontecer no dia-a-dia rotineiro como acontece, por exemplo, quando a cueca se esconde no vale obscuro que raramente vê o sol.

Antes de mais, cueca alberga toda a variedade de roupa interior que se possa usar. Acho que é um termo elegante quando usado no singular e, como cada um usa o que quer, cueca dá para toda a gente. Este texto fará pouco sentido para quem não usa nada, mas esse caso é toda uma outra história.

É inevitável, a cueca gosta de tentar jogar às escondidas, mas esconde-se sempre no mesmo sítio, sempre pelo rego adentro (desta vez não consegui uma palavra de classe). É desconfortável certo? Para mim, muito.

Pior que esse desconforto, é tentar resolver esta situação delicada. Por muito que se invente, vai sempre parecer que estamos a coçar a bunda, o que não é o mais elegante. Ficamos a pensar no que as pessoas possam pensar, e receber um olhar reprovador é muito vergonhoso.

Quando isto acontece, das duas umas: ou andamos com a cueca assim até chegar a casa, ou perdemos a vergonha toda e colocamos a mão no mealheiro. Eu podia ter dito “enfiar a mão”, mas aí já não teria classe!