O Outono já chegou, mas ainda não se lembrou que é a vez dele de pegar no leme da meteorologia. Se o Outono fosse uma pessoa, era aquela que entra às 9h, é pontual, mas primeiro vai ver o mail pessoal, ler as “gordas” dos jornais e, sorrateiramente ou não, dá uma olhadela nas redes sociais.

O Outono esfria as ruas, mas aquece as camas. Com os mesmos lençóis, o nosso ninho torna-se mais quente, mais apetecível, mais ternurento, mais acolhedor. É a altura do ano que nos lembra de como é bom estar na ronha. Para mim, estar na ronha é melhor quando se tem algum lado para ir. É a ginástica de querer ficar o máximo tempo possível na cama, antes de sermos obrigados a sair de lá.

Também gosto de fazer ronha nas férias e no fim-de-semana, mas assim tem outro sentido, tem outras emoções envolvidas. Estar na ronha é acordar quentinho, na cama, no escuro, com ou sem despertador, ver as horas com o olho menos preguiçoso, e pensar: “ainda posso ficar mais 5 minutos.” E, por vezes, estes são os melhores 5 minutos do dia, mas também os mais stressantes.

Se por um lado, estes 5 minutos se multiplicam todos os dias fazendo com que seja preciso fazer tudo à pressa sacrificando o pequeno-almoço ou o banho para não sair atrasado, por outro, estes são os 5 minutos mais descansados e vazios do dia, que passeiam ao som de “aqui está tão bom, vou aproveitar só mais um bocadinho”.

A ronha é um pequeno prazer da vida e, como tal, deve ser bem aproveitado. Felizmente, é um daqueles prazeres de que podemos usufruir todos os dias. No meu relógio já são 19h, que boa notícia! Daqui a 12 horas estou na ronha outra vez, que maravilha!