Benjamim, de nome querido e afável, não gosta da segunda-feira, odeia esse dia que acontece 52 vezes durante o ano. Descontando férias e feriados, Benjamin odeia, em média, cerca de 47 segundas. É um sentimento atroz que o atormenta desde domingo à tarde, tal é o pânico do dia que se segue.

Hoje é domingo, Benjamin está a almoçar um dos seus pratos preferidos, com a sua companhia preferida, no seu sítio preferido. Dificilmente encontraremos Benjamin mais feliz do que está agora. Findado o almoço, Benjamin vai à sua esplanada preferida, na sua praia preferida, e consegue ficar no seu lugar predileto. Tudo corre bem, até que chega a hora de voltar para casa.

O regresso a casa é o início de uma tortura impensável. Custa deixar tudo o que está a correr bem e, como se isso não chegasse, está trânsito, completamente parado. O dia está estragado e só terá solução na terça-feira. Benjamin chega a casa, chateado, e tem de fazer o jantar mas não lhe apetece. Resmunga com portas, paredes e com a televisão. “Que desgraça!”, pensa o rapaz enquanto percorre os canais em busca de alguma animação. Mas nada serve, todos estão melhor que ele. Até a televisão desligada parece mais feliz que a expressão facial de Benjamin. A decisão é simples e vai dormir.

Acordar não é a solução ideal. Benjamin está com cara de “poucos amigos” e de que “todos lhe devem mas ninguém lhe paga”. Vai tomar o pequeno almoço e repara que não há pão. Tristeza? Não. É quase um sentimento de repulsa que nasce dentro de Benjamin todas as segundas. Sai de casa para completar a primeira refeição do dia e, ao sair de casa, um pombo decide que ele é a sanita de serviço. Benjamin gostava de ser exterminador de pombos ao fim de semana, para evitar estes problemas à segunda-feira.

Troca de roupa e sai, à velocidade de quem não se quer atrasar. Benjamin gosta de chegar a horas, mas está trânsito. Acidentes, semáforos, engarrafamentos, tudo acontece num só dia. Chega ao trabalho, pede um café e queima a língua. Não gosta de dizer asneiras, mas tem vontade de partir a caneca que o fez sofrer. O dia vai longo e ainda nem começou.

Chega a horas, trabalha muito, sai a horas. Trânsito, acidentes, engarrafamentos. Benjamin chega a casa e não há pão. “A televisão nunca dá nada de jeito.” Diz Benjamin, profundamente indignado para o seu programa preferido. Mas é segunda-feira, hoje nada pode correr bem.

Hoje é terça e Benjamin está feliz. Acorda, vai tomar o pequeno-almoço e não há pão, “É da maneira que vou ao café!”. Sai de casa e tem o pombo à espera. “Realmente, esta camisa não é muito bonita. Que boa desculpa para comprar uma nova.” Tudo se repete: trânsito, acidentes e uma língua queimada. Mas, hoje, Benjamin está feliz, hoje não é segunda-feira.