Uma da tarde e o meu estômago roncou, tão pontual como um relógio suíço. Encontro-me em zona desconhecida, mas avisto um Pingo Doce e penso para mim que é sempre uma boa escolha. Pelo caminho, a minha bexiga dá um aperto, daqueles que nos fazem encolher o corpo, forte o suficiente para me esquecer de tudo o resto. Tinha uma nova missão: encontrar uma casa de banho.

Decidido, continuei em direção ao Pingo Doce para, antes da refeição, satisfazer a vontade imperiosa e dominante de aliviar a bexiga. Ao entrar, algo acontece. Perdi o controlo que tenho do meu próprio pensamento e a minha bexiga domina-me por completo. Isto talvez justifique o que aconteceu a seguir.

Olho para a esquerda e vejo a seção de Take Away, olho para a direita (e pisca-pisca, eu sei, mas tive de soltar) e vejo um quiosque. E a casa de banho? Nem vê-la! Não me parece que exista aqui uma casa de banho, mas deve existir uma lei qualquer que o indique. Continuando, sem tempo para procurar ou perguntar,
tomei nova decisão: ir a um restaurante.

Ao sair, vejo um restaurante do outro lado da estrada. Fui na esperança que fosse um daqueles restaurantes que têm menus do dia e refeições económicas, tão comuns e tão bons. Cheguei e a desgraça estava por segundos, neste caso, a dupla desgraça.

No meu primeiro passo dentro do restaurante pisei uma alcatifa, suave como algodão. E, no segundo imediatamente a seguir, um senhor dirige-se a mim, pergunta se estou só, e encaminha-me para uma mesa. O restaurante é muito chique e realmente finório, um restaurante moderno com pinta de gourmet. Olho para a mesa e vejo, apenas, 4 coisas: um copo, um guardanapo de pano dobrado, uma mini-tigela branca e, para meu desespero, um saco de papel com dois pauzinhos.

Nunca provei sushi e ainda não sei se quero provar sushi. Já almocei uma vez num restaurante asiático (talvez chinês) onde experimentei a técnica dos pauzinhos e a única conclusão possível é que sou muito fiel ao trio maravilha que me ajuda a ter sucesso no ato de me alimentar: garfo, faca e colher.

PS: Isto foi só a primeira parte deste conto real! Mas, para ninguém se cansar de ler e para não ficar muito comprido, conto o resto amanhã.

(Ler o Segundo Episódio desta história.)