Inspiração, onde estás?

Não tenho qualquer ideia.
Não há mel nesta colmeia.

Não, não estou a mentir,
Talvez me estejam a fugir.

Se calhar, não me apanham.
Corro muito e elas não.

Seja como for
Esta é a minha dor.

Se calhar a culpa é minha,
Não páro de correr em linha

Como se tivesse fogo no cu.
Inspiração, onde estás tu?

Terapia de (A)Mar

Amar é amor,
Sentir o calor
Num abraço apertado,
Aconchegado.

No mar te espreito
Ao longe, uma miragem.
De barco, uma viagem
De amor ao peito.

Onde vou?
Vamos sem olhar,
Devagar.

O coração voou,
Não tem fundo,
Encanta o mundo.

 

Soneto do Bloqueio (Criativo?)

É tão difícil lutar
Contra um cérebro vazio.
Imaginem ter de enfrentar
Aquele tão gordo tio.

Por muita força de braços
Que exista dentro de ti,
O maior dos embaraços
É não controlar o xixi.

Sem saber o que fazer
Vais ficar aí especado,
Com vergonha e todo molhado.

(Eu apenas queria escrever
E lá consegui descalçar esta bota
Escrevendo este poema idiota.)

Soneto à Chuva

No meio do inverno,
Que nunca é eterno,
Aconselho uma boa bota
Como se usa na tropa.

É o remédio perfeito
Para quem não tem jeito
De escolher uma bota estilosa
Muito bonita ou muito feiosa.

A chuva é intensa e forte
E que enorme falta de sorte
Por só ter ténis de pano.

Ficam molhados num instante
E talvez seja um ignorante,
Mas não, sou só humano.

Soneto de Ano Novo

Ano novo, vida nova e uma lista
Cheia de resoluções para não cumprir.
Tal como os canários gostam de alpista,
No ano novo os humanos gostam de mentir.

Exercício físico foi o primeiro
Mas não tenho qualquer vontade.
Não levanto o meu traseiro,
Nem que venha uma tempestade.

O segundo é sobre começar a dieta.
Isso que é já uma história antiga,
Tanto esforço para perder a barriga.

Eu só desejo escrever mais poemas,
Agarrar na caneta e não ter algemas
Para escrever livremente até ser poeta.

Estacionar é tão giro, quem diria

Era domingo, faltava uma semana para o natal e, tal como se espera, as pessoas transformam-se em pequenos animais “ferozes” que se enganaram na sociedade em que vivem. Em tempos humanos, naquele domingo, só vi leões atrás de gazelas. Como o contexto é importante, o relato que segue acontece no CascaiShoppiung.

Diz-se por aí que Cascais é chique, como tal, esperava comportamentos calmos e narizes empinados, apenas no sentido em que caminha tudo lentamente como se não existisse pressa. Quando cheguei ao parque recordaram-me rapidamente que isso não é nada assim. Cascais não muda o comportamento das pessoas nos centros comerciais e, verdade seja dita, o CascaiShopping é em Alcabideche, fator que muda tudo. Ter uma tia de Cascais pode ser tema de conversa, já ter uma tia de Alcabideche não interessa a ninguém.

Chego ao parque exterior e diverti-me, apenas observando o que me rodeia. Carros à procura de lugar são muitos, lugares são mais ou menos zero. Ainda por cima nem existem aquelas luzinhas verdes e vermelhas para ajudar, o que torna tudo mais interessante. Pessoas com compras feitas saem alegre e pacificamente pela porta e deslocam-se, passo a passo, para o carro. Atrás delas, um carro persegue-as lentamente. Tal como se fosse um leão que observa uma gazela e escolhe o melhor momento para atacar.

As pessoas entram e o leão espera pelo lugar. Do outro lado, sem sequer ter perseguido ninguém, aparece outro leão à espera. Na selva, gosto de acreditar que os leões andam à porrada como verdadeiros machos para ver quem ataca a gazela primeiro. Na selva moderna, “um parque de estacionamento”, tudo se resolve com um pisca-pisca. Eu nem gosto de ver pessoas à porrada, mas ver pessoas a discutir por um lugar de estacionamento é tão inútil que quase me entretém.

Se eu for a pé e vier um carro atrás de mim a andar tão devagar quanto eu, no mínimo vou-me sentir ameaçado e pensar que se trata de um psicopata. No centro comercial, este mesmo comportamento é aceitável. Será? Também não sei.

Cronista não-crónico que quer escrever mais crónicas

Para quê esperar pelas resoluções de ano novo para ter novos desafios que não vão ser cumpridos? É um desperdício de tempo, por isso, vou começar já hoje. Eu quero ser uma espécie de cronista que publica uma crónica todas as semanas, sempre ao mesmo dia, à hora que me apetecer, de hoje e até sempre.

Até sempre é a meta que defino neste primeiro dia porque tenho sempre excitação em excesso quando começo um novo desafio que me entusiasma bastante, tal como este. Provavelmente, vou começar a falhar logo no segundo mês, mas, hoje, estou imbatível.

Escolhi as terças porque não gosto muito delas. A terça é uma 2ª segunda-feira, porque a verdadeira segunda nem me dói muito (até parece que os dias me batem). A verdadeira segunda é o dia extra do fim de semana em que nós decidimos ter uma rotina de trabalho, enfim, um dia diferente, enquanto a terça é aquele dia que te diz “amigo, a tua vida é isto, 5 dias por semana, não te deixes enganar”, algo que não é muito simpático de ouvir.

Para mim, em termo muito simplistas, um cronista é alguém que escreve textos interessantes com regularidade, algo que eu gostava de fazer. As minhas referências, e inspirações, são o Miguel Esteves Cardoso (todos os dias no Público) e o Gregório Duvivier (semanalmente na Folha de São Paulo). Não sou tão interessante quanto eles, não para já, mas como sou um bom amigo, decidi que o nome de cada um deles fosse o link para os vários artigos. Divirtam-se com estes escritores a sério.

Para a semana: pessoas que têm poucas compras também deviam ter prioridade nas caixas de supermercado. Ou isto ou algo muito mais interessante sobre o qual  ainda não pensei nem um bocadinho.